domingo, 8 de novembro de 2009

Mercado Cultural Não Se Sustenta

Movido a patrocínio, mercado cultural brasileiro não se sustenta sozinho

ANA PAULA SOUSA
THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

Se, numa canetada, acabassem os incentivos fiscais destinados à cultura, os palcos brasileiros esvaziariam. Mesmo aqueles ocupados por artistas que, na discussões sobre a nova Lei Rouanet, têm sido definidos como "consagrados". As bilheterias sozinhas, salvo exceções, não pagam peças, shows e filmes feitos no país. O mercado da cultura brasileiro não é autossustentável.

"O artista famoso precisa de lei", crava Sergio Ajzemberg, que trabalha com marketing cultural. "Existe um circuito fechado de artistas que vivem de Lei Rouanet", diz Juca Muller, produtor de shows nacionais (Detonautas) e internacionais (Earth Wind & Fire). "As empresas querem associar suas marcas aos grandes nomes, não a desconhecidos." As leis, além de tornarem mais visível quem já tem nome, inflaram os custos e agigantaram o mercado cultural. Mas teria o público acompanhado esse ritmo? Os números indicam que não.


Editoria de Arte/Folha de S.Paulo

O dinheiro de imposto que as empresas destinam à cultura beneficiou certos artistas, mas não chegou à população. É esse descompasso entre produção e acesso que tem feito com que sejam contestados projetos bancados com lei e, ainda assim, caros. "Os automóveis têm redutor de IPI e as pessoas entendem o porquê. No caso da cultura, isso não é totalmente aceito", diz o advogado Fábio de Sá Cesnik. "Todo mundo diz que o teatro é caro. É? Alguém sabe quanto eu gasto para produzir uma peça?", pergunta Antonio Fagundes.

E quanto custa a turnê de um músico? A bilheteria é capaz de bancar todos os custos?

Depende. Leninha Brandão (que trabalha com Vanessa da Mata e Lenine) diz que precisou captar R$ 660 mil de uma empresa de cosméticos para que Lenine fizesse um disco e shows em diversas capitais do país com ingresso a R$ 40.

Já Marcelo Lobato (de Marcelo D2 e Pitty) afirma que a bilheteria paga as despesas. "Faço a agenda de meus artistas e vendo os shows para contratantes locais. Ou esses contratantes pagam os cachês usando bilheteria ou se viram para arrumar patrocínio."

A discussão torna-se ainda mais complexa quando a cultura confunde-se com o entretenimento --em tese, comercialmente viável. "Quem trabalha com entretenimento tende a entregar às pessoas o que elas querem, ou seja, pensa no freguês. Às vezes isso tem ligação com a cultura, às vezes não", delimita Pena Schmidt, superintendente do Auditório Ibirapuera. "Mas essa linha é tênue", diz, lembrando que, do rei que encomendava obras a um artista, passando pelo Estado e pelas gravadoras, a música sempre foi subsidiada.

Schmidt se pergunta se poderia ser diferente. E responde: "Com a estrutura de teatros que temos, não. Fala-se muito nos cinemas, mas os teatros também foram vendidos para igrejas. Por não haver incentivo para a construção de teatros, proliferou a indústria do montar e desmontar palcos. Nas casas pequenas, o que banca um show é a venda de bebidas."

No Auditório Ibirapuera, a bilheteria responde por 10% do orçamento da casa. Parte é bancado pela TIM, sem leis, e parte vem do aluguel para eventos fechados. No Teatro Alfa, a conta é semelhante. A bilheteria responde por 20% do orçamento. Metade da arrecadação vem dos patrocínios e 30% do aluguel para eventos.

Segundo Elizabeth Machado, superintendente do Alfa, um espetáculo orçado em R$ 600 mil rende, na bilheteria, cerca de R$ 100 mil. Por que a conta não fecha? "Porque eu teria de cobrar R$ 400 reais. E aí a conta não fecharia porque o teatro não lotaria." O produtor Emílio Kalil, que trará o grupo de Pina Baush para o Brasil, ainda não conseguiu patrocínio e, apesar dos ingressos esgotados, antevê o prejuízo. "A temporada custa R$ 1 milhão. São 58 pessoas, dois contêineres, dez dias de hotel, locomoção, estrutura técnica. É uma estrutura caríssima, que o público não vê, diz.

E antes das leis, como isso era pago? Em primeiro lugar, é preciso dizer que, pós-leis, cerca de 100 mil empresas prestadoras de serviço --de alimentação a luz-- se oficializaram para entrar na engrenagem de notas fiscais e prestação de contas. "Se você quer filmar numa esquina, o dono da padaria te cobra. Há 30 anos não era assim", exemplifica o cineasta Hector Babenco. Mas há outras respostas.

"Muitos produtores iam chorar no colo dos governos", diz Kalil. "O governo brasileiro, historicamente, trabalhou com incentivos. Nos anos 1970, as gravadoras tinham desconto nos impostos se investissem em artistas nacionais", diz Cesnik. Há quem vá mais longe. "Tínhamos uma população acostumada a ir ao teatro, ao cinema", diz Ajzemberg. É essa uma das diferenças entre o Brasil e os países europeus. "A média da população brasileira não consome cultura."


Editoria de ArteFolha de S.Paulo

Ruy Jobim Neto
Cia. Mestremundo de Histórias
jobimneto.ruy@ gmail.com

---


Sabe como resolver o problema? A resposta está na EDUCAÇÃO, vemos que as pessoas não sabem reconhecer os bons trabalhos culturais, isso porque não foram ensinadas a frequentar teatros, cinemas, enfim...
E me vêem a cabeça o pensamento: "O povo brasileiro é assim mesmo, não gosta de assistir a brasileiros, a não ser aqueles 'engraçadinhos' que o faz rir e se aproveita e bebe, o que leva a casa a querer esse tipo de coisa, já que o que vence no orçamento é a bebida?"
Isso na minha opnião vai continuar mesmo, porque é uma coisa que tem que ser feita com cautela, pois só trará os benefícios a logno prazo. Insisto EDUCAÇÃO, é realmente o que falta nos brasileiros. Levar nossas crianças aos teatros e manter uma certa frequência é o que fará nosso público de amanhã. Mas se você prefere deixar seu filho na frente da tv, você estará infuenciando-o para essa sociedade medíocre e sem cultura que vivemos.

Cleyton Brayt

sábado, 24 de outubro de 2009

Revolta sobre o "Cachet Teste"


Estava lendo os e-mais que recebo do grupo "Banco de Atores" da Yahoo e, me deparei com forte revolta movida a partir deste texto enviado por nascibeckerr :

Me entristece todas as vezes que chego em comunidades do orkut e me deparo com anúncios solicitando trabalho de atores sem qualquer tipo de remuneração e, muitas vezes ignorando o mínimo necessário para que você possa fazer seu trabalho dignamente. Como se nós atores não tivéssemos contas a pagar e fizéssemos tudo por hobby. Sou artista/ator profissional, vivo do meu trabalho,um artista que estuda muito e procura fazer o seu trabalho cada vez melhor. Minha profissão é como qualquer outra, exige estudo, dedicação e disciplina. Porque alguém passaria horas estudando um texto, horas repetindo o mesmo movimento e, horas e horas tentando encontrar a melhor maneira de dizer uma frase? Porque alguém gastaria seu tempo em pesquisas, aulas de corpo, de canto, dança, se isso não fosse fundamental em sua vida?
Portanto respeitem o meu trabalho, ele é tão importante quanto o seu.
Penso que esse tipo de anúncio existe porque com certeza há sempre quem aceita tais condições. É hora da classe acordar e dar um basta nisso. Ok, se você aceita é um problema seu, mas penso que se você é profissional e da valor ao seu trabalho não se propõe a isso.É por isso que admiro a classe músical, os músicos nesse quesito são muito mais profissionais e unidos.

P.S. POSTEI ESSE MEU MANISFESTO EM ALGUMAS COMUNIDADES DE ATORES DO ORKUT E EM UMA DELAS A COMUNIDADE "TESTES-TEATRO, TV E CINEMA" QUE TEM COMO DONO O SR. BRUNO HERBSTRITH E MODERADORES GUILHERME E DOUGLAS E FUI EXPULSO DA COMUNIDADE. REALMENTE NAO ENTENDI PORQUE ATITUDE... SERÁ QUE ELES SAO ARTISTAS? ACHO Q NAO...PESSOAS ASSIM MODERANDO UMA COMUNIDADE QUE SE DIZ SER DE ATORES E IR CONTRA MINHA SOLICITAÇÃO E MANIFESTACAO ESTA INDO CONTRA TODA A CLASSE QUE PREZA SEU TRABALHO.LEVAMOS TANTO TEMPO PRA QUE A PROFISSÃO FOSSE RECONHECIDA E RESPEITADA, MAS TÔ VENDO QUE AINDA FALTA MUITO A SER FEITO. É MUITO TRISTE TUDO ISSO, SÓ TENHO A LAMENTAR.


A Partir deste escrito, outras pessoas escreveram, como o Sidney Cirillo e Alexandre Paro. Veja:


Infelizmente, meu caro amigo a culpa de tudo isso é dos próprios atores...que não tem vergonha na cara e vão fazer teste,por ex; sem receber o cachet teste.
Eu já tô cansado desses monte de BaBacas...mas o que fazer,se eles não se dão o devido valor? me add no seu orkut e vamos conversando!
Abraços Sidney Cirillo

( contato: cirilloeventos@yahoo.com.br)

Acabei de desligar o telefone negando o teste de um trabalho de R$ 3.000,00.... .... (PROPAGANDA DE CERVEJA )

justamente pq não tinha o cachê teste....e tenho contas a pagar, e engraçado que estou negativo no banco..!!!!! !!

mais se não tomarmos uma atitude já, vai virar festa isso p qualquer ARTISTA.

abr Alexandre Paro

Realmente nem sei o que dizer, pois de um lado está os atores que precisam de "grana" e vêem num teste, mesmo sem cachet teste, uma oportunidade de trabalho e, por outro, vem a falta de legalidade nisso tudo, afinal se é de direito dos trabalhadores de receber por seu trabalho em teste, DEVIAM RECEBER. Não vejo uma maneira eficaz de impedir esse tipo de ilegalidade, a não ser na forma de protesto dos atores. Mas será que vão protestar? Será que irão contra as empresas produtoras? Ou será que vão continuar assim, porque é assim que funciona o sitema?

Cleyton Brayt


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Iª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA

Iª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA


A Secretaria Municipal de Cultura realiza no dias 24 e 25 de outubro de 2009, no Palácio Gustavo Capanema, a I Conferência Municipal de Cultura, com vistas à criação conjunta de Políticas Públicas de Cultura e à elaboração de um Plano Municipal de Cultura. A I Conferência também vai debater o Sistema Nacional de Cultura, que reunirá todos os órgãos e as instituições da área nos três níveis de governo - Município, Estado e União - e traçará políticas e estratégias comuns para os próximos dez anos.

São convidados a participar todos os protagonistas da cultura: artistas, produtores, gestores, investidores e consumidores, para que se valorizem a diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões em nosso município. Estas discussões formulação também propostas para as conferências Estadual e Nacional de Cultura, que discutirão diretrizes, estratégias e políticas públicas para a próxima década. Serão eleitos delegados à Conferência Estadual, na proporção de um terço do poder público e dois terços da sociedade civil (um terço de artistas, produtores e investidores e um terço de consumidores de cultura).

Foram realizadas onze pré-conferências por regiões da cidade e quem participou das pré-conferências está automaticamente inscrito na I Conferência Municipal de Cultura, que vai também indicar delegados à Conferência Estadual de Cultura.
As discussões giram em torno de cinco eixos propostos pelo Ministério da Cultura: Produção Simbólica e Diversidade cultural, Cultura, Cidade e Cidadania, Cultura e Desenvolvimento Sustentável, Cultura e Economia Criativa e Gestão e Institucionalidade da Cultura.

I Conferência Municipal de Cultura do Rio de Janeiro
Data: 24 e 25 de outubro de 2009 (sábado e domingo)
Horário: das 8 às 17 horas
Local: Auditório Gilberto Freyre - Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 - sobreloja
Centro (próximo à Rua Araújo Porto Alegre)


I Conferência Estadual de Cultura
Data: novembro de 2009


II Conferência Nacional de Cultura
Data: 11 a 14 de março de 2010
Local: Brasília


Download's:



Fonte: Rio Gov

© 2008 Por *Templates para Você*